Desenhos animados fazem mal para as crianças? O que os pais precisam saber sobre alto estímulo, excesso de telas e conteúdos que ajudam no desenvolvimento infantil 

Não existe idade para gostar de desenho animado. Da criança até o adulto, todos podem se divertir assistindo a uma animação. Porém, em uma realidade na qual as telas ocupam cada vez mais a rotina, e os estímulos sensoriais estão em todos os lados, os desenhos animados precisam ir além: eles precisam competir pela sua atenção.

Assim entram em cena o que chamamos de “desenhos de alto estímulo”, que utilizam estratégias narrativas para captar nossa atenção: mudanças rápidas de cena, cores com altíssimos contrastes, sons intensos, luzes piscando, abundância de efeitos visuais e sonoros. O resultado? Ficamos hipnotizados.

COMO FUNCIONAM OS ESTÍMULOS

Todos esses estímulos impulsionam um aumento exacerbado de dopamina no nosso cérebro, ativando, mais especificamente, o que chamamos de sistema de recompensa cerebral. Por isso, o uso de telas em excesso cria em nós uma necessidade cada vez maior por esses estímulos de recompensa.

Segundo matéria da revista Forbes, “Como o Excesso de Tempo de Tela Afeta Seu Cérebro”, publicada em 2025, o uso excessivo de telas está remodelando o cérebro, afetando aspectos cognitivos e sociais, além de prejudicar o sono, a rotina, saúde física e ocular. 

Assim, se as telas têm esse poder em adultos, imagine esses mesmos efeitos em uma criança. A Dra. Tamires Mariano, especialista em neurologia infantil, afirma que “os desenhos de alto estímulo expõem o cérebro infantil a uma velocidade muito acima daquela para a qual ele foi biologicamente programado. Com o tempo o cérebro passa a se acostumar com esse nível elevado de estímulo e o mundo real começa a parecer lento e pouco interessante. Isso pode impactar a atenção, tolerância à frustração e até a capacidade de brincar de forma mais criativa”. 

INTERFERÊNCIA NO DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA

Fonte: StockSnap, Pixabay

Os primeiros anos de vida são fundamentais para o neurodesenvolvimento. É quando ocorre, de forma mais intensa, a formação das sinapses (conexões entre neurônios). É por meio das experiências da criança que o cérebro cria conexões, influenciando diretamente no desenvolvimento de habilidades cognitivas, sociais e emocionais.  

Além disso, o excesso de estímulos provocado pelas telas desencadeia um cansaço mental e aceleração interna. Assim, as crianças tendem a expressar esse desconforto com irritabilidade, comportamentos agressivos e birras.

Mas nem todo desenho animado é prejudicial para a criança. Indo contra ao viés puramente mercadológico, existem animações que são feitas especificamente para auxiliar no desenvolvimento infantil. São os desenhos de baixo estímulo. 

“Os desenhos de baixo estímulo respeitam melhor o tempo do cérebro infantil. Eles têm narrativas mais calmas, pausas naturais, diálogos compreensíveis e histórias que permitam que a criança pense, antecipe e sinta. Isso favorece a linguagem, imaginação e compreensão emocional. A tela deixa de ser apenas um bombardeio sensorial  e passa a ser uma ferramenta de aprendizado, principalmente se for na TV, sem que ela tenha o controle na mão, claro, e sempre com algum responsável por perto. Então não é apenas sobre a tela. É qual tela, com que finalidade e com quem ela assiste.”, explica Dra.Tamiris.

Se de um lado o excesso de estímulos afeta o desenvolvimento infantil, por outro, os estímulos na medida certa podem ser uma ferramenta de apoio.

DESENHOS IDEAIS PARA AS CRIANÇAS

Além de atuar como neuropediatra em Fortaleza-CE, a Tamiris Mariano produz conteúdos sobre filmes e desenhos educativos. Em seu perfil do Instagram, a especialista acumula 1.8 milhão de seguidores. Assim, ela explica que existem animações que ajudam a ensinar emoções, resoluções de conflitos, empatia, além de estimularem a linguagem e o raciocínio. No entanto, deixa um adendo muito claro: “desenho não substitui relação interpessoal. O aprendizado mais profundo ainda acontece nas trocas entre os pais, nas brincadeiras e nas experiências do dia a dia”. 

Dra. Tamiris Mariano, especialista em neurologia infantil @dratamirismariano

Porém, mesmo com animações de baixo estímulo, existem recomendações específicas para exposição de crianças às telas. A Dra. Tamiris afirma: “Hoje a gente não fala apenas de tempo, mas de três pilares: idade da criança, qualidade do conteúdo e a presença dos pais”. Até dois anos de idade, não é recomendado o uso de telas, apenas para fotos, e chamadas de vídeo. Dos dois aos cinco, é permitido uma hora de tela na televisão. Dos seis aos dez, o recomendado é até duas horas por dia. “O cérebro infantil precisa de movimento, conversa, contato,e exploração do ambiente para amadurecer”, complementa.

Esse é um dos motivos da importância da  presença dos pais quando a criança está assistindo a algum conteúdo. Em artigo intitulado “As Diferentes Categorias De Estímulos Das Telas E Seus Impactos No Desenvolvimento Da Linguagem Na Primeira Infância: Uma Revisão Integrativa”, publicado na revista ft em outubro de 2024, existem dois tipos de exposição às telas: o tempo ativo, quando há interação com o conteúdo, e o passivo, quando não há interação efetiva. Nesse caso, a falta de interação pode afetar negativamente o desenvolvimento da linguagem. 

Segundo Tamiris, ao escolher o desenho para as crianças, os pais precisam ficar atentos a cinco pontos: o ritmo do desenho, a clareza da história, se os comportamentos são adequados para a idade, se existe conteúdo emocional positivo e, principalmente, como a criança fica depois de assistir. “O melhor desenho é aquele que, quando termina, devolve a criança para o mundo real com mais tranquilidade e não agitada e irritada. O desenho ideal não acelera a infância, ele acompanha o tempo da criança”.

TURMA DA BOIADEIRINHA

O projeto “Turma da Boiadeirinha” nasceu depois de muito estudo e preparação. Com a proposta educativa, guiada pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o desenho animado e seus desdobramentos seguem propostas alinhadas ao bem-estar infantil e ao desenvolvimento integral da criança, como conteúdos interativos e de baixo estímulo.

Assista em: https://www.youtube.com/@turmadaboiadeirinha

fontes:

Oliveira, G. M. V., & Ribeiro, M. K. B. (2023). O uso excessivo de telas e os prejuízos no neurodesenvolvimento: uma revisão narrativa da literatura (Trabalho de Conclusão de Curso). Universidade Federal do Tocantins. 

Takahara, A. B., Santos, E. F., Figueiredo, L. M., Oliveira, A. C. de M., Rosa, A. L., Pinto, A. Y. de F., … Rocha, A. C. da (2024). As diferentes categorias de estímulos das telas e seus impactos no desenvolvimento da linguagem na primeira infância: uma revisão integrativa. Revista ft Ciências da Saúde, 28(139). 

REDAÇÃO Lumine. Desenhos de baixo estímulo: o que são e como eles ajudam no desenvolvimento da criança. 13 jan. 2026. Disponível em: https://blog.lumine.tv/o-que-sao-desenhos-de-baixo-estimulo/  

MESQUITA, Renata Valerio de. Desenhos animados de alto estímulo. Lunetas, 15 maio 2024. Disponível em: https://lunetas.com.br/desenhos-animados-de-alto-estimulo/

CASTRILLON, Caroline. Como o Excesso de Tempo de Tela Afeta Seu Cérebro. Forbes Brasil, 12 out. 2025. Disponível em: https://forbes.com.br/carreira/2025/10/como-o-excesso-de-tempo-de-tela-afeta-seu-cerebro/ 

Escrito por: Maria Vitória Ticiani | AgroPlay Kids

Turma da Boiadeirinha lota Espaço Unimed em estreia oficial do espetáculo infantil “O Melhor Show do Mundo”

Após conquistar milhões no digital, fenômeno infantil dá passo decisivo nos teatros e inicia turnê pelo país

A Turma da Boiadeirinha fez sua aguardada estreia oficial nos palcos com o espetáculo “O Melhor Show do Mundo”, apresentado na tarde do último sábado, 14 de fevereiro, no Espaço Unimed, em São Paulo. A sessão aconteceu com casa cheia, reunindo cerca de 1.500 pessoas.

O público foi marcado pela diversidade, com meninas e meninos de diferentes idades, acompanhados por amigos e familiares. Entre os relatos, está o de Maria Antônia, que viajou de Uberlândia (MG) para a capital paulista, ou seja, quase 600 km para levar a filha, Lara, de 7 anos ao encontro dos personagens que ela é fã e acompanha pelos conteúdos interativos (que pode ser conferido no portal oficial da Turma Boiadeirinha) e pelos vídeos no YouTube.

A estreia também foi marcada pela inclusão, ao receber públicos da comunidade surda de diferentes idades. A experiência contou com acessibilidade e a presença do intérprete Clayton Carneiro, que acompanha as histórias e proporcionou uma vivência mais imersiva. A participação de intérpretes de Libras vai contar de acordo com a requisição de cada contratante.

O espetáculo marca um novo passo do projeto, que já soma mais de 213 milhões de visualizações e 1,3 milhão de inscritos apenas no YouTube. Atualmente, sete episódios estão disponíveis, além de clipes musicais, versões em karaokê e conteúdos acessíveis em Libras. O universo é planejado como um
ecossistema seguro, criado para crianças de 3 a 6 anos.

No palco, o público acompanhou as personagens Boiadeirinha, Pereirinha, Blake, Pierre e pela professora Maria Rosa em uma jornada divertida a caminho da escola. A apresentação teve duração aproximada de 50 minutos e começou com uma surpresa, um vídeo especial da cantora Ana Castela desejando um
excelente show para as crianças.

Marcado por interações, conteúdo educativo e magia, a apresentação trouxe músicas autorais marcantes como “Ovinho Mexido” e “Vogais”. Hits da turminha que estimulam a conscientização da escrita, da diversão de poder se expressar por meio da dança e de bons hábitos, como escovar os dentes. Todo o projeto é preparado por especialistas.

A paixão por Ana Castela também foi um destaque, com crianças fazendo questão de declarar carinho pela artista e a alegria de estar frente a frente com a personagem Boiadeirinha, com chapéu, bota e figurino todo rosa.

Antes do início, dezenas de pessoas aguardavam na fila, muitas vestidas a caráter. Na entrada, o público pôde tirar fotos em painéis especiais, adquirir itens exclusivos e oficiais nas lojinhas da Turma da Boiadeirinha e ainda experimentar um picolé exclusivo.

Diretor do projeto e sócio-diretor da AgroPlay Kids, José Marcus celebra o resultado da estreia, que aconteceu após a première realizada no navio de Ana Castela no começo do mês. “Nós ficamos muito satisfeitos com o resultado do que entregamos ao público e em ver o envolvimento das crianças e famílias com a história contada. Tudo foi pensado com base nos pilares da BNCC (Base Nacional Comum Curricular) para a primeira infância e preparado com muito cuidado e dedicação por um time de profissionais que faz a Turma da Boiadeirinha ter vida. Esse é apenas o começo!”, comenta.

O primeiro ensaio assistido do espetáculo aconteceu no teatro do Navio Ana Castela, no dia 7 de janeiro, reunindo cerca de 50 profissionais. Já para os demais shows itinerantes, vão estar envolvidos 20 profissionais na produção de cada apresentação.

Para Raphael Soares, sócio-diretor da AgroPlay, essa nova fase amplia o alcance do projeto e fortalece todo o ecossistema do grupo. “Depois de conquistar o público no digital, a Turma da Boiadeirinha deu um passo decisivo ao subir ao palco e realizar uma estreia memorável em São Paulo. Ver esse universo ganhar vida diante das famílias foi a confirmação de que estamos construindo algo que vai muito além das telas. Agora, com a turnê seguindo pelo Brasil, ampliamos ainda mais essa conexão, transformando a experiência em algo próximo, vivo e emocionante. É um movimento estratégico que une entretenimento, educação e presença de marca, fortalecendo não apenas o projeto infantil, mas todo o ecossistema da AgroPlay”, detalha.

Com apresentações já requisitadas por diversos municípios do Brasil, a Turma da Boiadeirinha já se apresentou duas vezes em Mogi das Cruzes (SP), agora segue com agendas em Sorriso (MT), São Paulo e Rio de Janeiro, por onde promete repetir momentos de alegria e aprendizado que devem ficar marcados
na memória das famílias.

Acompanhe:
YouTube: https://www.youtube.com/@turmadaboiadeirinha
Instagram: https://www.instagram.com/turmadaboiadeirinha/
Fotos: Serginho Pirez

Escrito por: David Jônatas | Assessoria de Imprensa Grupo AgroPlay